sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia dos professores - Aos mestres com carinho

"Ser professor não é uma mera profissão. É, além de tudo, uma opção de vida, em que se escolhe seguir por um caminho incerto. Ser professor é variar, em um único dia, entre sofrimentos e prazeres. É aprender a gostar de uma rotina intensa e cansativa.

Nossos professores cresceram conosco. Eles acompanharam nossos primeiros passos longe da família, o nervosismo no primeiro dia de aula e seguraram em nossas mãos para nos ensinar a escrever. Sorriram quando aprendemos a primeira fração matemática, nos contaram histórias nunca antes ouvidas e nos consolaram quando caímos durante alguma brincadeira.

Com o passar dos anos, aprendemos a gostar mais e mais desses companheiros diários. Crescemos e passamos por muitas experiências, e o professor era sempre uma figura presente. Muitos deles se tornaram verdadeiros amigos e a saudade já começa a apertar quando se aproxima a hora da despedida. Mas os laços de amizade criados serão eternos.

A esses profissionais admiráveis, expressamos a nossa sincera gratidão. Sabemos reconhecer a importância de todos que passaram por nós durante esta jornada. Todos deixaram uma marca especial e nos fizeram seres mais completos. Eles nos ensinaram teorias que não podem ser avaliadas e valores que não podem ser postos no papel.

Agradecemos pela paciência, pelas palavras doces e amigas e pela bronca na hora correta, que era um convite à realidade. E agora é a nossa vez de mostrar que todo o esforço valeu a pena. Esta vitória também é de vocês."


Texto escrito em 2008 para a missa de formatura do Terceiro Ano.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

"A vida é um grande ponto de vista"

Tudo a respeito de nós tem ao menos dois modos de interpretação. Alguém preocupado pode ser precavido ou paranóico. Um sorriso mais alto pode ser i"diotice" ou uma demonstração real de felicidade. Não querer se aproximar de alguém pode ser medo ou preconceito. Viver, portanto, é um grande ponto de vista, onde toda e qualquer interpretação depende de onde se está olhando.

Os pontos de vista que levamos em nós são geralmente estimulados pela nossa experiência. Uma opinião não se estabelece sozinha, não "brota" simplesmente. E a opinião é a dona de nossas ações, estando as duas intimamente ligadas.Uma ação não é tomada, e sim construída a partir da análise dos fatos passados (mesmo que em alguns casos esse processo pareça demorar apenas 2 segundos).

Pensar em "pontos de vista" é se preocupar também com o outro. O que na sua cabeça parece certo e inalterável, pode ser considerado sem lógica por quem observa de fora. É preciso paciência e também entrosamento para saber porque o outro tem aquela opinião.

Simplificando: enxergar apenas um ponto de vista é ignorar o quanto cada situação pode nos ensinar. Que retiremos da vida todos os pontos de vista possíveis.


P.S: Dedico esse texto à minha amiga Aryane, que formulou a frase que dá título ao post e me ensinou, quase sem querer, uma coisa tão importante.


domingo, 23 de maio de 2010

Eu me apaixonei pela literatura

Só existe algo ruim que o gosto pela leitura me trouxe. Eu acabei com a péssima mania de achar que vivo numa espécie de livro e que todos os acontecimentos e pessoas da minha vida fazem parte dele. Explico: toda vida é uma história, mas nem toda história daria um bom livro.

Por isso, eu procuro sempre me envolver com quem me rende bons enredos. Quando conheço alguém, fantasio os capítulos que surgirão desse convívio. Não gosto de mesmice e, portanto, cobiço os que me farão ter passagens interessantes para contar.

Alguns desses personagens são antagonistas, outros são protagonistas... Alguns rendem imensos parágrafos, enquanto outros só merecem notas de rodapé. Mas todos contribuem para que, sempre que tenho vontade, eu sinta prazer em parar e folhear as histórias guardadas em minha cabeça.

E eu sigo assim: apaixonada pela literatura. Quero episódios trágicos, românticos, dramáticos e - por que não? - fabulosos! Não quero o previsível. Eu quero da minha vida uma ótima leitura.

quinta-feira, 11 de março de 2010

TPM produtiva

Eu estou querendo desde ontem um abraço que não existe. Um encaixe que me acolha milimetricamente, sem sobrar nenhuma angústia. A resolução dos meus problemas poderia muito bem caber no intervalo desses braços, feitos para abrigar a mim ninguém mais.

Eu estou esperando desde ontem um olhar que não tem dono. Viria daqueles olhos que alegrariam os meus dias só de piscarem, melindrosamente, para mim. E junto do olhar brilharia o sorriso quase cintilante, feito para me contaminar e extinguir qualquer lágrima que teimasse em surgir.

Eu almejei ontem durante horas uma ligação que nunca virá. Não existiria limite de minutos e os créditos seriam infinitos. Só que... A boca que eu desejo não existe para que saia a voz e os dedos são imaginários, incapazes de digitar.

Eu desejo (mas isso já faz tempo) que existisse o ombro perfeito para eu me recostar. Lá eu contaria minhas histórias, sem julgamento nenhum, que seriam acompanhadas dos afagos que meu rosto e meus longos cabelos negros insistem em pedir que as mais belas e inexistentes mãos façam.

Na verdade, quem eu quero não tem nome, nem forma, nem possibilidade. Mas o conteúdo - veja só que previsível - seria o remédio para a minha carência.

(Escrito dia 08/03/2010)

E agora, eu pergunto: que mulher nunca se sentiu assim?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Rir: o meu melhor remédio

(No embalo do post da Iaci)

Eu cresci sem saber direito a diferença de quando estavam rindo comigo ou de mim. Não sabia se eu era o motivo de piadas da turma ou quem as fazia - a linha era tênue demais para a minha pobre cabecinha de criança tímida. Mas o fato é que sempre gostei de dar risada. De tudo.

Mas eu me sinto, até hoje, bem mais realizada em provocar uma gargalhada sincera do que em eu mesma soltá-la. Eu só fazia piadas para as pessoas mais próximas, mas aí tudo foi se tornando mais forte do que eu e... Sou muita vezes definida como a palhaça do pessoal. Minhas piadas não agradam à todos os públicos, é óbvio. E nem vi a esse mundo para viver num espetáculo de Stand Up Comedy sem fim.

Tenho aprendido com o tempo que o bom humor é a chave para lidar com a rotina. Aos olhos mais atentos, todo e qualquer detalhe tem algo de pitoresco. Até as desgraças. Exemplo: quem me conhece sabe que frequentemente sou acometida por doenças estranhas. Recentemente, não contente em ter uma paralisia, eu tinha que tê-la no rosto.

Grande Sylvester Stallone: menos torto do que eu

Ganhei em 24h inúmeros apelidos: Rambo, Duas Caras, Carta Torta, Coringa... Fiquei tímida no começo, confesso. Mas aderi ao movimento. E isso me ajudou a lidar melhor com as dores que eu sentia. E desde então venho dando risada de tudo, até dos acontecimentos mais sórdidos que se passam comigo.

Falo sempre que tudo tem que ter graça. E enxergar essa graça depende unicamente de nós. A vida é uma piada pronta, esperando por um intérprete mais afoito e destemido. E eu espero encontrar muito mais motivos para dar risada.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Teoria do Band Aid

Eu tenho duas características que me atrapalham demais: sou medrosa e ansiosa. Sofro horrores por um machucado que às vezes ainda nem aconteceu. Fico imaginando a dor que ele irá causar e o sangue que poderá ser derramado. Quando ele acontece, o inevitável é tratá-lo. E existe uma maneira de cura que eu tenho utilizado bastante.

Procuro encarar o que me aflige de frente. Fugir e dizer "Não quero tratar disso agora" pode fazer o problema virar algo mais difícil ainda de tratar. Por isso, adaptei uma metáfora (que com certeza não é inovadora) para a minha realidade.

A Teoria do Band Aid


Quando machucamos uma parte do nosso corpo, o melhor é cobri-la para que ela não seja infectada. Feridas sérias precisam de pontos e até cirurgias... Mas as pequenas são facilmente tratadas com um band aid, que está às mãos de todos e que pode ser colocado até com a ajuda de alguém próximo. É um modo de proteção com eficácia comprovada. Existem, porém, os que se tornam dependentes de seus band aids e temem a hora da retirada.

O band aid gruda na nossa pele e nos dá medo de retirá-lo. Ele fica por vezes escondendo uma ferida que já está curada, mas ainda não estamos preparados para encará-la como parte sadia de nós. O band aid tem uma hora certa para ser retirado - não importa quanto ele irá puxar a pele para sair.

Retirá-lo é difícil. Mas eu venho aprendendo que a melhor maneira de diminuir a dor é puxar todo o band aid de uma vez só. O grito pode soar por toda a vizinhança, mas ele sumirá rapidamente, junto com o rápido enxugar de lágrimas. O sorriso de alívio virá mais depressa - e você se sentirá um idiota por não ter resolvido logo antes.

Deixo em aberto essa metáfora para que cada um interprete segundo os seus problemas. Espero que todos sejam corajosos como o menininho que ilustra este post!


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Maioridade x maturidade

Meses antes de fazer dezoito anos, eu estava ansiossísima pela chegada dessa idade que parecia decisiva em minha vida. Eu fazia mil planos e imaginava mil coisas. A surpresa desagradável foi quando bateu a 00:01 do dia 8 de janeiro de 2009 e eu percebi que continuava a mesma.

Agora eu tenho algumas responsabilidades implícitas. Já sou responsável por meus atos perante a lei, já posso dirigir... Mas quem garante que eu estou preparada para tudo isso?

Demorei a aprender que idade nada tem a ver com maturidade. A maturidade depende de como vivemos nossa vida - e não de quantos anos se passaram desde o início dela. Bater no peito e dizer "Agora eu sou maior de idade" não livrou a minha cara quando eu me senti uma criancinha diante das dificuldades que eu não sabia lidar.

Não há nada que se compare com a experiência

Dia desses, eu li um conto de Nelson Rodrigues em que a personagem principal tinha o mesmo nome que eu, mas a idade era de"26 ou 27 anos". Por alguns segundos, eu desejei secretamente me transformar naquela mulher. Mas depois, pensando bem, cheguei à conclusão de que nada me adiantaria ter essa idade e não ter experiência.

Como eu poderia lidar bem com meu trabalho? Como eu poderia tratar os meus amores? A idade, ao meu ver, precisa corresponder-se diretamente com amadurecimento. Ser maduro para mim nada mais é do que ter tato em situações adversas. E saber quando a criança interior ainda pode aparecer.

Agora que já me dei conta de tudo isso, aproveito mais o que a minha pouca idade tem a oferecer. Preciso usufruir enquanto ainda posso agir incoerentemente, já que minhas responsabilidades são poucas. Espero ansiossísima, agora, pelo que a vida ainda tem a ensinar. E quando eu tiver meus "26 ou 27 anos" espero saber muito mais do meus poucos anos já vividos me ensinaram.